January 16
Sobre o Marrocos e fotografias nunca feitas
Uma saudade enorme de sair na rua de chinelo de dedo e camiseta - entre outros vários motivos, é claro - me fez fugir para o Marrocos durante os 20 dias que tive de férias. Nao posso dizer que lá fazia calor, mas nem o frio das noites frias do deserto era tao frio quanto o frio que faz no inverno de Madri.
Meu parceiro dessa vez foi o Bixente, meu amigo de Paris, um basco-francês um pouco louco, sempre de bom humor, e com espírito, gostos e interesses muito parecidos com os meus. Ele me encontrou em Fes dois dias depois de minha chegada e percorreu comigo 13 das 15 cidades marroquis que conheci.
Estivemos por medinas, vilas abandonadas, oásis e praias. Nos misturamos com os locais, provamos diversas iguarias improváveis e cruzamos quase 200 km de deserto pegando carona com mulas, caminhoes e 4x4 (para fazer contato com a gente da regiao e sua realidade, por um pouco mais de aventura e, afinal, porque nos gusta la mala vida!).
Nossa viagem está contada nas fotos e legendas que postei aqui. Infelizmente as imagens mais lindas só puderam ser registradas nas nossas memórias:
o padrao do deserto quebrado pelo colorido dos véus de mulçumanas que nao se deixavam fotografar
a imundície vaporizada dos hammams
a música indiana cantada por Driss no restaurante de Fes
a música bereber enchendo os ônibus que cruzavam o deserto
o cheiro mutante das ruelas das medinas
o sabor das tagines e do chá com menta
o sabor de Mercedes Soza em um fone de ouvido compartilhado nas noites frias dos hotéis
os camelos passeando livremente pelo deserto
a prática super difundida do triatlon nacional - tirar catota do nariz, escarrar na rua e arrotar nos ônibus
as conversas reveladoras e intrigantes com Rachid
o sol se pondo no horizonte de um leito seco de rio visto desde os tamareiros de um oásis
a beleza do mar visto do alto das muralhas de Essaouria ao sabor de um chocolate
a barata encontrada sob resquícios de creme no último gole de café