March 15
O presente de Maren
De todos os quitutes que há no Marrocos nada é tão popular entre os marroquinos que uma branca, farta e cremosa espuma sobre o café. Assim como “chá sem espuma não é chá”, segundo a explicação pouco aprofundada de meu colega Rachid, um café sem espuma nao é café. O que em outros lugares do mundo pode ser apenas um complemento às vezes até dispensável, nessa terra africana tem importância suficiente para fazer a reputação de uma cafeteria. “Eles têm a melhor espuma de café do país”, nos dizia quem nos indicava o lugar para justificar sua sugestão.
Foi em um desses restaurantes com a melhor espuma de café do Marrocos que finalmente, ao fim da viagem, descobrimos o porquê dessa fixação no corpo de uma barata que se econdeu sob a tão afamada espuma durante todo o tempo em que Bixente e eu nos divertíamos dividindo o tal café a colheradas. Foi um choque.
Esta semana, quase dois meses depois desse episódio marcante, a famosa espuma de café marroquina aparece em minha casa, em Madri, na mala de Maren, que veio me visitar desde a Alemanha. Minha amiga chegou acompanhada de uma caneca de café, daquelas grandes, tipo americanas, que me põem um sorriso no rosto nas tardes de inverno, e de um apetrecho engraçado que, mergulhado dentro do leite quente, faz crescer a espuma branca e espessa que me perseguiu por todo o Marrocos. Presentes para mim, ela disse.
Agora minhas manhãs são passadas aos goles de café coberto pela espuma mais bonita e cremosa que existe no mundo, flutuando em minha enorme caneca colorida. E sem baratas submersas. É de deixar qualquer marroquino com inveja.